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sábado, 12 de janeiro de 2019

CONHEÇA UM POUCO DOS ENCANTOS DE BELÉM, CAPITAL PARAENSE QUE COMPLETA 403 ANOS NESTE SÁBADO - PARABÉNS BELÉM DO PARÁ!



A cultura e os costumes de Belém são famosos pelas cores e aromas. Da culinária aos ritmos que embalam as festas, a capital paraense é reconhecida pelo regionalismo.
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Belém chega aos 403 anos extrapolando fronteiras. A capital do estado não se prende mais aos limites do norte do país. Referência na gastronomia e popular pela música regional, Belém está na vitrine do resto do mundo. Pratos típicos se tornaram conhecidos e pontos turísticos passaram a ser famosos no cenário nacional.

Belém, 403 anos — Foto: TV LiberalBelém 403 anos é uma série de duas reportagens produzidas pelo G1 que mostram os desafios enfrentados, os encantos da capital paraense e o que pessoas, incluindo celebridades, dariam de presente para a cidade.
Porém, ao mesmo tempo que Belém ficou mais pop, a cidade se tornou mais íntima. Fora do circuito comercial, a capital do estado ainda guarda peculiaridades que a tornam única. Desde a chuva do final da tarde, passando pelas barraquinhas de comida típica em cada esquina, chegando até o modo especial como se toma açaí. Apesar da enorme visibilidade, Belém ainda guarda seus encantos para quem é da terra.
Belém é conhecida como Cidade das Mangueiras.  — Foto: Comus
Belém é conhecida como Cidade das Mangueiras. — Foto: Comus

Açaí - alimento e identidade regional

Alimento trazido pela cultura indígena e muito popular na mesa de muitos belemenses, o açaí hoje é um produto do mundo. Consumindo em vários lugares fora do Pará, o fruto é associado à energia e resistência, consumido por atletas de forma congelada, como um sorverte, acompanhado de outras furtas e grãos.
Fruto sendo vendido na feira do açaí — Foto: Divulgação/ Prefeitura Municipal de Belém
Fruto sendo vendido na feira do açaí — Foto: Divulgação/ Prefeitura Municipal de Belém
Porém, em Belém, o açaí não faz parte só da alimentação, mas sim da identidade do povo. Em todo o estado, fruto é consumido de forma única: líquido, acompanhado de farinha d'água e fazendo parte da refeição. Algumas pessoas acrescentam farinha de tapioca ou açúcar, mas o mais importante é que o produto não pode faltar na mesa.
Quem tem uma relação muito próxima com o açaí é a veterinária Karina Vieira. Segundo ela, a tradição de tomar o açaí durante as refeições é passada de geração em geração. "Desde criança eu tomo açaí, e isso é assim com toda a minha família. Gosto do açaí só com farinha d'água e farinha de tapioca, e quanto mais grosso, melhor", afirma.


Açaí no Pará é acompanhamento para pratos como peixe frito. — Foto: Reprodução/TV Liberal
Açaí no Pará é acompanhamento para pratos como peixe frito. — Foto: Reprodução/TV Liberal
Segundo ela, apesar de o açaí ser consumido em outros estados de forma diferente, o costume de ingerir o fruto da maneira tradicional deve ser preservada. "Acho que cada um toma como achar melhor, mas particularmente eu prefiro da forma original. Acho importante a gente manter essa tradição para as outras gerações. Considero que essas coisas tornam o nosso lugar especial".
Tacacá...é no calor?

O tacacá, junto com a maniçoba e pato no tucupi são os pratos regionais mais populares em Belém. O prato, também de origem indígena, é servido em uma cuia, com goma de mandioca, camarões, jambú, e tucupí. O costume é que o prato seja servido bem quente.
Tacacá utiliza basicamente produtos derivados da mandioca — Foto: Ingrid Bico/G1
Tacacá utiliza basicamente produtos derivados da mandioca — Foto: Ingrid Bico/G1
Apesar disso, em Belém o tacacá é consumido no calor. As várias barraquinhas que vendem o prato espalhados pela cidade lotam em dias de altas temperaturas. Quem mora em Belém, diz que o tempo quente deixa a experiência mais especial.
"Para o belenense o tacacá deve ser tomado em clima quente porque a nossa alma é quente. Somos intensos. A gente prefere um tacacá bem quentinho mesmo quando tem aquele sol forte da tarde. Só vendo de perto a nossa cultura para entender", disse a o cientista da computação, Victor Leal.


Barraca de tacacá em Belém — Foto: Catarina Barbosa/G1 Pará
Barraca de tacacá em Belém — Foto: Catarina Barbosa/G1 Pará
Segundo ele, os lanches de rua são outro ponto especial nas tardes da cidade. "Além de ter os lanches tradicionais, o belenense conseguiu adaptar isso pras comidas típicas daqui. Então hoje é muito comum ver nas esquinas barracas de tacacá, maniçoba e outras coisas daqui. Não vejo isso em outras cidades. Isso é interessante em Belém", afirmou.
Cheiros e ervas - Belém é local de renovar as energias

Em vários pontos de Belém, principalmente na feira do ver-o-peso, é possível encontrar o tradicional banho de ervas. Com a promessa de atrair paz, amor e felicidade, os banhos também são próprios da cultura da cidade. É comum várias pessoas irem com às feiras abertas para comprar ervas e preparar um banho especial para começar um novo ciclo com boas energias.
Mistura de ervas vendidas no Ver-o-Peso — Foto: Ingrid Bico/G1
Mistura de ervas vendidas no Ver-o-Peso — Foto: Ingrid Bico/G1
Quem leva essa tradição de família é a publicitária Ana Luiza Dalfré. Ela diz que acompanha a mãe com frequência ao mercado para comprar novas ervas e preparar um banho para renovar as energias. "Eu e minha família somos muito ligados à energia. Tradicionalmente sempre tomo um banho na virada de ano, mas acompanho a minha mãe à feira com frequência", declarou.


Dona Beth Cheirosinha, 63, já atua há 48 anos no mercado Ver-o-Peso. Ela aprendeu a produzir os banhos e essências com a avó e a mãe. — Foto: Dominik Giusti/G1
Dona Beth Cheirosinha, 63, já atua há 48 anos no mercado Ver-o-Peso. Ela aprendeu a produzir os banhos e
essências com a avó e a mãe. — Foto: Dominik Giusti/G1
Ela afirma que, apesar de outras cidades do país também serem conhecidas pelos banhos de cheiro, as ervas de Belém são únicas e especiais. "Nossa família não é daqui, fui criada em Belém, mas meus familiares são do Rio. Levamos sempre nossas ervas pra ela e eles falam que são incríveis. Já ouvi de pessoas que viajaram o Brasil inteiro e esse amor que o povo de Belém sente pelas raízes é uma coisa que não se vê em outros lugares" afirma.
Do melody ao carimbó - música regional faz parte da noite de Belém
Toneladas de estruturas metálicas concentradas em um grande galpão. Placas de LED, canhões de luz e lazer, metros de caixa de som ajudam a compor uma festa de som em muitos decibéis. É assim que funciona um show de aparelhagem em Belém. Som marcante derivado do brega paraense, as aparelhagens se aperfeiçoaram através do tempo e se tornaram superestruturas que renovam a cada dia os ritimos que embalam a cidade

Aparelhagem Super Pop — Foto: Tarso Sarraf/ O Liberal
                                                                  Aparelhagem Super Pop — Foto: Tarso Sarraf/ O Liberal


Antes restrito à perifería de Belém, as aparelhagens ganharam espaço e ultrapassaram a barreira do centro da cidade. As estruturas readaptaram rítimos regionais do início da década de 80. Influências da música eletrônica americana e europeia se mistruram a batida envolvente do movimento brega e criaram o tecnomelody, som essencialmente paraense.
 Em Belém é onde essa mistura é mais intensa. Grandes festas como a Ouro Negro, Rubi, Tupinambá, Princípe Negro, a Búfalo do Marajó e a Superpop atraem milhares de pessoas em todos os bairros da cidade. As cascata de faíscas e sons potentes de última geração fazem chegam a fazer inveja a muitos DJs internacionais.


Festa de brega paraense — Foto: Reprodução/TV Liberal
Festa de brega paraense — Foto: Reprodução/TV Liberal
Apesar da modificação representada pelo tecnomelody, O romantismo, a dança a dois e as letras que fazem referência ao cotidiano paraense não foram deixados de lado. Em muitos lugares, o brega paraense original ainda preserva suas raízes.
Assim como o tecnomelody, o brega também é marcado por uma mistura de ritmos que pertence ao cotidiano paraense, como o carimbó, a guitarrada e a lambada. Sucessos de artistas como Ted Max, Nelsinho Rodrigues e Wanderley Andrade seguem agitando centenas de pessoas em Belém.

Por Caio Maia, G1 PA — Belém
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