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terça-feira, 3 de julho de 2018

AVIÃO ONDE PASSAGEIROS FORAM ASSASSINADOS CONTINUA EM RIO NO PARÁ SEM SER PERICIADO, DIZ IML

Quatro dias após piloto ter feito pouso forçado e relatado duplo homicídio durante o voo à polícia, equipes realizam buscas pelos corpos em área de garimpo, em Itaituba, sudoeste do PA.
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Quatro dias após um suposto duplo homícidio durante um voo no Pará, a aeronave de pequeno porte onde os crimes teriam ocorrido continua dentro do rio Jamanxim, área de garimpo de Itaituba, sudoeste do estado, e ainda não foi periciada, de acordo com o Instituto Médico Legal (IML). O órgão informou nesta segunda-feira (2) que um material coletado no avião está sendo analisado e que um laudo da perícia deve sair até quinta-feira (5).

O piloto Sérgio Vanderlei Becker foi liberado na noite de sexta-feira (29) após relatar à polícia ter feito um pouso forçado no rio, por volta de 17h da última quinta-feira (28), depois de testemunhar um assassinato a bordo e de ter ele próprio matado o assassino durante o voo.
A polícia apura se a história é verdadeira. Becker, que segundo a Polícia já está na cidade onde mora no Mato Grosso, já foi acusado em 2015 por envolvimento com tráfico internacional de drogas ao ser flagrado transportando de avião com 200 kg de cocaína, também no MT.

Até a noite desta segunda-feira (2), nenhum dos supostos corpos foi encontrado. O piloto Becker alegou que as vítimas caíram em área de mata fechada durante voo, na localidade Jardim de Ouro. A Secretaria de Segurança Pública (Segup) informou que enviou reforços nas buscas em Itaituba com helicóptero do Grupamento Aéreo de Segurança Pública (Graesp). O Corpo de Bombeiros também participa da ação.

As buscas com o helicóptero da Graesp, que começariam nesta manhã, foram adiadas porque a chegada da aeronave sofreu atraso, e iniciou durante a tarde.
De acordo com a Segup, até o momento, nada foi encontrado. As buscas foram suspensas no começo da noite. As atividades devem ser retomadas na manhã de terça-feira (3).
 
Segundo o piloto, a aeronave saiu de Guarantã do Norte (MT) com destino ao Apuí (AM). Em depoimento na delegacia de Itaituba, o piloto afirmou que estava com dois passageiros a bordo e estes começaram a discutir. Um dos passageiros teria matado o outro a tiros. Na sequência, o atirador tentou jogar o corpo da vítima pela porta do avião durante o voo. Sérgio conta ainda que reagiu, conseguiu desarmar o homem e atirou no mesmo para não ser morto.

Em nota, a Polícia Civil disse que informações preliminares da Polícia Militar apontavam que o avião buscaria drogas. Inicialmente, a Polícia Civil informou também que o piloto havia sido preso acusado de porte ilegal de armas e de munição, mas que não foi acusado de homicídio porque não foram encontrados os corpos.



Depois de prestar depoimento, o piloto foi liberado na noite de sexta-feira (29). Após avaliar a situação do piloto, o delegado da delegacia de Itaituba, João Milhomem, decidiu não autuá-lo em flagrante por falta de evidências, “já que o objeto que o Sérgio possuía era apenas um projétil”.
A aeronave tinha vestígios de sangue e pedaços do que a polícia suspeita ser massa encefálica. O material foi enviado ao Instituto Médico Legal (IML) para testes de DNA, mas o órgão informou ao G1 na tarde de sábado (30) que ainda não há o resultado do exame. Peritos criminais da Polícia Federal realizam análises do avião. Peritos do Centro de Perícias de Santarém também foram acionados.

Tráfico internacional
O piloto Sérgio Vanderlei Becker já respondeu por tráfico internacional de drogas. Em 2015, ele foi flagrado no Mato Grosso pela Polícia Federal transportando 200 kg de cocaína oriundas do Peru ou da Bolívia.

Além do piloto, outras duas pessoas foram detidas. Com elas, foram apreendidos dois aparelhos de rádios transmissores da mesma marca. Um instalado na aeronave e outro na caminhonete, o que, segundo as investigações, indicaria que tais equipamentos foram utilizados visando o contato entre o piloto da aeronave e a suposta chefe da associação criminosa, que acompanhava o piloto fazendo o apoio logístico em terra.

 


Por G1 PA, Belém
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